sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Ó, "psora", ó!!!

Ó, "PSORA", Ó!

Na coletiva histórica em Pequim, depois de causar ao tesouro mandarim um prejuízo de alguns quilos de ouro, de quem Michael Phelps foi lembrar? Claro!!!! De uma professora!!! Mas não fiquemos tão românticos assim porque este blog não é para fracos.

Nas palavras do próprio Phelps: "Por um momento, lembrei de uma professora minha de inglês, do ensino médio. Ela dizia: 'você nunca vai ser bem-sucedido em nada'. Esse tipo de coisa volta à cabeça, é engraçado." (Duvida? Veja aqui)

Não só volta à cabeça... Na verdade, nunca sai de lá - e o que não sai não pode voltar. Esta passagem é emblemática justamente porque ilustra algo que me intriga e preocupa há anos: professores que se consideram capazes de julgar o verdadeiro potencial de seus alunos. Geralmente são os mesmos que julgam saber a verdade sobre tudo. Professores que não distinguem entre aquilo que se pode ver e o que realmente é.

Ainda que possamos identificar algumas falhas em nossos alunos, quem não as têm? E, o que é pior: quem nos dá o direito de julgá-los a partir de somente aquilo que conseguimos ver (uma ínfima parte do que o ser humano naquele aluno é)? E esse julgamento apressado - e sempre enganoso - pode encontrar no "réu" duas reações: a de um Phelps, que dedica toda a sua vida para provar que pode ser bem-sucedido apesar da torcida contra de sua professora ou a de alguém tão sensível e fragilizado que acaba se convencendo, até por nos respeitar, de que realmente é um caso sem solução e perde a chance de se tornar melhor.

Isso tudo me pôs a pensar sobre uma coisa que deveria preocupar todos os professores: quanta gente poderia querer, hoje, se voltar para nós com um troféu, um diploma, medalhas, qualquer coisa assim nas mãos e dizer: Aqui, ó, "psor", ó!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Uma questão de perfil

Ontem fui procurado por uma colega cuja IES está promovendo a oferta de disciplinas naquele ritmo de 20% semipresenciais. O material foi produzido com qualidade, a infra-estrutura estava de acordo, mas a instituição está enfrentando dois "males recorrentes": a) protestos dos alunos, que se acham prejudicados pelas atividades não-presenciais, e b) uma "guerra fria" não-declarada de alguns professores indicados para acompanhar essas disciplinas. Perguntou-me a colega se havia solução para essas duas situações.

Olha, num blog temos de ser muito sucintos, então vou tocar apenas naquilo que acho fundamental sobre cada uma das situações:
  • a) a inclusão de disciplinas semipresenciais responde a uma tendência pedagógica muito moderna (no sentido de contemporânea), que valoriza o desenvolvimento da autonomia dos alunos. Os professores não ficam administrando softwares, mas monitorando uma construção de conhecimentos feita colaborativamente, mais horizontal. Essas disciplinas devem ser administradas com um projeto pedagógico sólido, bem acompanhadas em com finalidades que possam ser observadas por todos o tempo todo nos diversos estágios de construção. Ainda que não conheça SUA instituição, conheço a recorrência desses problemas, e sou capaz de apostar que a instituição deve estar falhando em termos de projeto e acompanhamento, especialmente no que tange à necessidade de fazer os alunos se sentirem senhores de seu aprendizado e valorizados por isso.
  • b) Não é qualquer professor que tem a competência necessária à EAD. Não é porque alguém tem 30 anos de experiência pilotando jatos comerciais a 800Km/h que será a melhor opção para pilotar carros de F1 a "meros" 330Km/h. São cenários diferentes, necessidades diferentes, competências diferentes. Em suma: É OUTRO PERFIL! Selecionar e formar professores para EAD é a fase mais importante de qualquer projeto e, ainda assim, geralmente a mais negligenciada ou realizada como mera formalidade. O resultado é sempre desastroso, especialmente se a EAD for empurrada "goela abaixo" de quem não se sente bem com ela.

Em suma, na suma da suma, é isso. O projeto e a infra-estrutura são importantes, mas achar as pessoas certas para as posições certas é ainda mais importante.

Abraços!!!